Domingo, Agosto 14
Sem volta
Quando olhava bem nos teus olhos
sentia teus lábios me devorarem
da mesma forma que eu te abraçava
com braços rápidos e mãos precisas
Quando sentava na solidão da noite
lembrava do céu riscado pela tua partida,
do solo abandonado do meu quarto
e do lado frio da minha cama...
Quando meu viver incapaz, te perdeu
vi um novo nascer de dias e noites
dias verdes e brisa saudosa...
noites frias e chuva melancólica...
Quando lembrei de ti e me pus a escrever
pensei em ocupar um dia em sua vida
pra quebrar o ano em 365 partes
e em sua vida ser parte em toda parte...
Quando se parte é uma partida eterna
mesmo que retornes já partiste
e aquilo que nasce já não morre
mas mesmo que não morra, não se repete.
Só
Somente assim, só...
Não há necessidade de complemento verbal
muito menos de complemento não-verbal
Não verbalizo meu desejo... não posso...
Não posso ser eu... longe de mim...
E ainda corro com medo
Sou medroso. Tive essa doença.
Não vou dizer do que se trata...
Eu trato de coisas mais nobres
nessa hipocrisia de ser assim
de tratar sobre aquilo que não sai
sou aquilo sobre o qual não trato
Somente assim, acompanhado
pra me entender sem ser apanhado
e sem apanhar. Sou ponto sem nó.
Só isso. Sou só.
Segunda-feira, Julho 11
Quinta-feira, Março 18
Ontem
De tudo que há nessa hora
há resquícios do ontem perdido
pedaços da vontade velada
arrependimentos do pouco vivido
Talvez seja um olhar pessimista
só enxergar o mal feito e o não feito
mas de fato é só isso que sinto
ao tentar descansar no meu leito.
há resquícios do ontem perdido
pedaços da vontade velada
arrependimentos do pouco vivido
Talvez seja um olhar pessimista
só enxergar o mal feito e o não feito
mas de fato é só isso que sinto
ao tentar descansar no meu leito.
Sexta-feira, Dezembro 5
Limitações
Nos espaços que deixo entre essas palavras
Nos vãos que marcam a distância desses versos
Moram mensagens inexpressáveis
Que nenhuma linguagem é capaz de expulsar
Recados que se misturam e se espalham
Mas sem nexo
Sem sentido
Como uma pilha de papéis que jogamos pro ar
Como uma viagem que não começa e nem vai começar
Incógnitas que se perdem nas limitações diárias
Nos afazeres corriqueiros
Que por sua vez vão do nada a lugar nenhum
Mas permanecemos incrustados na cultura da limitação
Que nos prende os pés
Que nos amarra as mãos
Que nos venda os olhos
Que nos dar uma satisfação imediata
Vazia
Pobre
Pequena
Medíocre
Ínfima
Tornando qualquer expressão
um conjunto de mensagens frouxas
que parecem nos dizer algo
mas só dizem o já que sabemos
o que já possuímos
mas que não desperta
não emerge
são poucos os segundos de lucidez...
Terça-feira, Setembro 16
Rotina
Moro na casa da dúvidaOnde vejo muitas portas
Poucas dessas exploradas
E essas poucas entreabertas
Todo dia invado a sala
Contemplo mil possibilidades
Acendo um cigarro como quem espera
As cinzas caem em minutos pelo chão
Mas meu corpo inerte
Atrelado ao meu eu covarde
Me prende à rotineira realidade
Do sofá e da televisão
(...)
Segunda-feira, Maio 19
Quebra-cabeça

Hoje sou a menor parte
de tudo que um dia fui
De tanto que me despedacei
[De tanto que me despedaçaram
Sinto mais forte as dores do tempo
Sinto bem menos
As vidas...
[Os laços
Ando arrastado
Peito em flor
[Dilacerado
Um terço de nós[Engasgado
O destino nas mãos
Em linhas embaraçado
Como uma floresta
Que se dá conta da devastação
Sendo manipulado e
estapeado
[Pela frieza da razão
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