Domingo, Agosto 14

Sem volta



Quando olhava bem nos teus olhos
sentia teus lábios me devorarem
da mesma forma que eu te abraçava
com braços rápidos e mãos precisas

Quando sentava na solidão da noite
lembrava do céu riscado pela tua partida,
do solo abandonado do meu quarto
e do lado frio da minha cama...

Quando meu viver incapaz, te perdeu
vi um novo nascer de dias e noites
dias verdes e brisa saudosa...
noites frias e chuva melancólica...

Quando lembrei de ti e me pus a escrever
pensei em ocupar um dia em sua vida
pra quebrar o ano em 365 partes
e em sua vida ser parte em toda parte...

Quando se parte é uma partida eterna
mesmo que retornes já partiste
e aquilo que nasce já não morre
mas mesmo que não morra, não se repete.



Somente assim, só...
Não há necessidade de complemento verbal
muito menos de complemento não-verbal
Não verbalizo meu desejo... não posso...

Não posso ser eu... longe de mim...
E ainda corro com medo
Sou medroso. Tive essa doença.
Não vou dizer do que se trata...

Eu trato de coisas mais nobres
nessa hipocrisia de ser assim
de tratar sobre aquilo que não sai
sou aquilo sobre o qual não trato

Somente assim, acompanhado
pra me entender sem ser apanhado
e sem apanhar. Sou ponto sem nó.
Só isso. Sou só.